Imagine-se em um dia em que tudo que possa dar errado aconteça. Você acorda demasiado cedo numa segunda-feira para ir trabalhar. Toma banho, escova os dentes e põe uma vestimenta apropriada pro trabalho. Até aí tudo bem. Logo quando você se senta à mesa para tomar o café da manhã, a sua filha, apressada para ir à escola, esbarra em você com uma jarra de suco de acerola e suja toda a sua roupa que você demorou tanto para escolher. De cara, você briga e grita com ela a ponto de fazê-la ir se trancar no quarto, chorar, faltar a aula e ficar magoada com o pai por ele ter sido tão bruto e incompreensível com ela. Mal sabia você que a sua filha tinha uma prova importante de matemática hoje e apenas estava apressada pois não tinha tido tempo de estudar e queria chegar cedo na escola para poder estudar um pouco. Enquanto a sua filha chora no quarto, você perde a fome e se levanta da mesa xingando deus e o mundo, a fim de ir vestir alguma roupa que não estivesse suja de suco de acerola. O mau humor afetou a sua visão periférica e o fez pisar nos dejetos deixados pelo seu cachorro, que dormia ao lado do seu sofá. Sem pensar, você dá um chute no cachorro que dormia no canto do sofá e reclama com sua esposa por ela ter deixado o cachorro dormir dentro de casa. Antes mesmo que você perceba, você já entra em uma discussão com sua esposa, estressando o dia dela e magoando seu amado cachorro que agora sofre com uma patinha machucada. Você sai de casa apressado, odiando o seu dia que mal acabou de começar, e não mais se importando com a camisa suja de suco de acerola, tampouco com os corações magoados que permaneceram em seu lar. Ao sair de casa, entra no carro, põe o cinto de segurança e ao se preparar para ligá-lo, lembra-se que deixou a chave do carro no criado mudo, ao lado da cama onde sua esposa tentava dormir, e que tinha faltado o trabalho, tentando acalmar a dor de cabeça que adquiriu enquanto brigava com o marido. Você, trajando-se como a pobre vítima das travessuras do malvado universo, se recusa voltar àquela casa cheia de pessoas que tinha tirado o dia para estragar o seu, e resolve ir ao trabalho de ônibus mesmo, afinal, que mal iria lhe custar? Você iria até ajudar o meio ambiente não tirando a sua máquina produtora e ambulante de CO2 da garagem.
Trinta minutos depois, na parada de ônibus, você se arrepende por não ter ido de carro, por se lembrar que o forte dos transportes coletivos da cidade não se tratava de pontualidade. Depois de mais longos dez minutos de espera, o suficiente para te irritar e o deixar com a cara fechada, o impossibilitando de ouvir os comprimentos não correspondidos de seus amigos de vizinhança que a você eram endereçados, que, devido ao constrangimento, nunca mais serão ditos novamente. Para completar, uma senhora que estava ao seu lado na parada e que iria pegar o mesmo ônibus que você, não pôde subir no ônibus, porque, por alguma razão, o motorista não abriu a porta de trás para que ela adentrasse sem pagar a passagem, como lhe é de direito. Tal ato do motorista já foi o suficiente para que começasse uma discussão entre você e ele, repleta de xingamentos que faziam-se de referência a mãe de cada um dos envolvidos e, fazendo este segundo se irritar, e, conseqüentemente e imperceptivelmente, aumentar a velocidade do ônibus, o que se torna proporcional ao mal-estar dos passageiros que se sentiam como batatas sendo transportados num caminhão desgovernado, e o que acarretaria em dezenas de outras casualidades fáceis de se imaginar que não preciso citar para não deixar o post muito longo.
Parabéns à você, pobre vítima dos acasos do malvado universo. Você, por causa de apenas um camisa manchada de suco acerola, acabou com o dia de dezenas de pessoas, mesmo sem perceber. Será que se você pudesse voltar no tempo, quando você estava sentado na mesa do café da manhã, e logo após ser atingido pela jarra de suco de acerola tivesse perdoado a sua apressada filha, a fazendo não perder a prova de matemática na escola e repetido de ano, e não tivesse brigado com sua esposa pela sua simples falha, ela não teria perdido o emprego por ter faltado a importante reunião que tinha com seu chefe e os acionistas da empresa e o seu cachorrinho não estaria com a patinha saudável agora? Será que se você apenas tivesse avisado ao motorista que existia uma senhora que gostaria que ele abrisse a porta de trás para que ela subisse, e não chegasse gritando com o infortúnio desatento, este último não teria dirigido melhor e não ouviria as reclamações dos outros passageiros, que os fizeram ficar irritado à ponto de quando chegasse em casa não reclamasse com sua mulher pelo fato de o jantar ainda não estar pronto, magoando-a e que, inocentemente, se perguntava naquele momento da fonte de tal inquietude do marido?
O mundo é feito de casualidades causadas pelos nossos mais simples e triviais atos. Por que às vezes é tão mais fácil julgar, punir e não perdoar o outro? O ser humano é feito de defeitos. Todos nós temos o direito de errar, então é nosso dever perdoar os defeitos e erros dos outros. O perdão não só te fará bem por dentro, mas também por fora, no chamado mundo externo, já que não somos seres singulares, e sim seres sociais e sociáveis que convivem numa sociedade que depende dos atos de cada um para se tornar benevolente. Um fato mal resolvido no presente poderá acarretar num turbilhão de problemas no futuro. Acredite, um simples perdão pode mudar tudo.
Viva. Ame. Perdoe e mude o mundo você também.
Um dia todo esse bem irá voltar para você.
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário